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Ana Paula Maia e Elias Fajardo falam de onde vêm as ideias de suas ficções

A mesa que abriu o último dia do FELICA 2011 refletiu sobre o processo de composição dos textos ficcionais. Ana Paula Maia e Elias Fajardo falaram como funcionam suas referências. Enquanto Elias busca uma prosa baseada em suas influências de quando ainda morava Tebas, distrito de Leopoldina, Ana Paula foca mais na pesquisa e desenvolvimento de uma narrativa mais densa e tensa.

Quando perguntados se ainda é possível escrever sem sofrer influências dos canônes, foram taxativos, não.  Ana Paula ainda causou risos na plateia quando disse que se fosse obrigada a escrever sobre uma cidade quente, Cataguases seria uma séria candidata. No entanto, a romancista revelou surprese e encantamente em estar na cidade de Luiz Ruffato e conhecer uma cidade que é cortada por um trem. “Me deu uma vontade de sair correndo e tirar uma foto do trem passando, ainda volto aqui para isso”, completou.

Veja algumas fotos.

O FELICA conta com o patrocínio da Lei Municipal Ascânio Lopes.

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Entrevista com a escritora Ana Paula Maia

fofo: Marcelo Correa

A escritora Ana Paula Maia, que estará na 3ª edição do FELICA, no dia 12 de novembro, na mesa Criar, recriar ou retratar: os artífices da ficção atual, ao lado do escritor Elias Fajardo, natural de Tebas, distrito de Leopoldina, na Casa de Cultura Simão, concedeu uma entrevista para o CataguasesViva apresentando um pouco mais de seu trabalho e de sua afinidade com Minas.

1) Você já havia lançado “O habitante das falhas subterrâneas”, em 2003, mas acredita que sua participação na antologia 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira, organizada por Luiz Ruffato, tenha alavancado ou solidificado sua condição como prosadora? Como é sua relação com o também cataguasense Ruffato?

APM – Quando o Ruffato me convidou para participar desta antologia eu havia acabado de lançar o meu primeiro romance, “O habitante…” Foi a primeira antologia de contos da qual participei e foi sim muito importante para o meu ingresso no cenário literário. A antologia não alavancou a minha carreira, mas foi um ponto muito positivo. Eu tive uma longa estrada para continuar e me firmar na carreira de escritora.

2)Você uma vez disse que é mineiríssima, por ter vários parentes aqui em Minas, e antes de estar em Cataguases participará no Felit (evento em São João del Rei), as paisagens interioranas fazem parte de alguma narrativa sua? Qual sua impressão de Cataguases?

APM – Estive rapidamente em Cataguases, por conta de uma visita a um tio avô que morava na cidade, vi muito pouco do lugar e desta vez, espero conhecer mais. Meus livros avançam cada vez mais para paisagens interioranas, é como se eu estivesse vivendo um êxodo urbano na minha literatura.

 3)    Como foram os processos de criação de suas obras?

APM – O processo de criação de cada livro foi diferente entre si, porém, os meus dois últimos livros, que consiste em três histórias que formam a trilogia “A saga dos brutos”, foi um projeto que teve unidade de pensamento, ou seja, faz algum tempo estou desenvolvendo o mesmo tema: a relação do homem com o trabalho que exerce e como esse trabalho molda ou influencia o seu caráter.

Geralmente penso muito antes de começar um livro, leio artigos, faço pesquisa. Gosto de obter informações que alimentam a minha imaginação e que agregam valores ao texto.

4)    O que acha da realização de eventos literários a fim de promoverem o incentivo à leitura?

APM – A literatura está na agenda cultural do país e isso é maravilhoso. É só o começo do estímulo a leitura, pois quanto mais se fala do assunto, mais ele se torna conhecido, comum. A literatura tem estado mais perto das pessoas, porém a formação de novos leitores parte principalmente da vontade individual, de cada um querer ler.