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3ª dia de Festival termina celebrando o fazer poético

Os poetas Chacal, Marcelo Benini e Ondjaki encerraram a terceira noite de atividades do FELICA tentando responder a uma árdua indagação: De que é feito um poeta?

Mediada pelo também poeta, Giovani Ramos, a mesa “Um poeta não se faz (só) com versos” fluiu bem e refletiu sobre o fazer poesia num mundo em que as pessoas preferem ler verdadeiros calhamaços de livros em prosa a poemas.

O poeta se faz de versos e reversos, na opinião de Chacal, além de analogias entre divulgar seus versos em mídia eletrônica como fazia nos anos 70 em mimeógrafo. Já Ondjaki e Marcelo Benini versaram sobre a importância da poesia desde a infância e como funciona o processo de criação de seus versos.

Veja alguns clicks da mesa.

O FELICA conta com o patrocínio da Lei Municipal Ascânio Lopes.

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Entrevista com o escritor Marcelo Benini

O poeta cataguasense radicado em Brasília, Marcelo Benini, em entrevista ao CataguasesViva, fala de como surgiu sua relação com a literatura, com Cataguases e de sua participação na 3ª edição do FELICA.

Marcelo participará da mesa “Um poeta não se faz (só) com versos”, juntamente com o poeta angolano Ondjaki e Chacal, na sexta-feira, 11, às 20h, na Casa Simão.

1) Quando começou seu contato com a literatura? A história literária de Cataguases influenciou de alguma maneira seu trabalho?

Marcelo: Minha lembrança de escrever poemas vem de quando tinha doze anos. Nesse sentido, penso que minha ligação com a literatura começou primeiro como autor, antes mesmo de me tornar um leitor assíduo.  Depois, por volta dos dezesseis, comecei a ler mais seriamente.

Meu contato com a literatura de Cataguases veio mais tarde. Pelo fato de ter saído da cidade com apenas quatro anos, não pude ter esse aprendizado na escola – imagino que a história cultural de Cataguases seja ensinada nas escolas daqui.  A primeira vez que ouvi falar da Revista Verde foi em uma matéria de jornal trazida até mim por meu pai. O assunto me interessou e comecei a pesquisar.

Tenho grande admiração e orgulho pela história cultural da cidade em que nasci. Sempre que posso conto essa história e as pessoas ficam perplexas com a intensidade de tudo que já aconteceu aqui, algo inesperado e inédito para uma cidade do interior do Brasil. Cataguases tem enorme influência na minha percepção do mundo e, consequentemente, em tudo que escrevo.

2) Como foi escrever e publicar seu primeiro livro de poesia “O Capim Sobre o Coleiro”?

Marcelo: Embora escreva desde garoto, a decisão de publicar um livro aconteceu um pouco tarde, aos quarenta anos. “O Capim Sobre o Coleiro” é, digamos assim, o resultado primeiro dessa trajetória. Alguns poemas remontam há mais de vinte anos, outros foram escritos recentemente.

Esse livro tem uma forte ligação com Cataguases, embora o nome da cidade não apareça em nenhum poema. Muitas coisas daqui me inspiraram, como as ruas de paralelepípedo, o trem, as gaiolas de passarinhos penduradas nos bares…  Não é um livro de reminiscências, mas nele eu falo da vida através dessas coisas que estão impregnadas na minha experiência.

 No meu segundo livro, que será lançado em 2012, a cidade também está muito presente.

 3) Como cataguasense, o que significa a realização de um evento como o FELICA em sua cidade natal?

Marcelo: Estou vivendo uma grande expectativa quanto a participar do Festival. O FELICA é mais um capítulo da importante história cultural de Cataguases. É resultado de toda uma tradição de grandes escritores, de gente que produziu um enorme acervo literário, que deve ser motivo de orgulho para toda a cidade. O Festival está resgatando tudo isso. Torço para que a cidade se envolva, que o Festival ganhe as ruas; que seja comentado e debatido nas casas, nas praças; que chegue ao conhecimento das crianças e dos jovens, enfim, que Cataguases não se negue a prosseguir nesse belíssimo destino de cidade cultural.